Falando um pouco de minha profissão ...
Parece impossível, mas não é. Essa pequena cobra consegue engolir um ovo muito maior que sua boca. Ela só consegue esse feito deslocando as mandíbulas, assim o ovo consegue passar por sua garganta. Essa é a vantagem de ter uma mandíbula com os ossos despregados. Trata-se de uma cobra comedora de ovos. A boca e o esôfago dela dilatam tanto que ficam transparentes. Ela engole o ovo inteiro, depois quebra, digere a ovoalbumina e põe a casca para fora, como você confere no finalzinho. Mecanismo ótimo para não desperdiçar nada dos ovos que ela rouba de ninhos, quase como um parto ao contrário. Mas é bom conhecer esses animais que são muito importantes na cadeia alimentar, embora a maioria não entenda, nem gosta e mata às vezes por nada! Um exemplo bem simples: considere a seguinte cadeia alimentar:
Analisemos a primeira cadeia: se o número de serpentes tiver uma significativa diminuição, o número de águias também irá diminuir, pois ficará sem alimento; em contrapartida, o número de aves aumentará, pois não terá serpentes suficientes para manter um número equilibrado de aves. Por outro lado, diminuirá drasticamente o número de gafanhotos, pois mais aves estarão se alimentando deles, tendo como última conseqüência um aumento exacerbado da vegetação. Analise você a segunda cadeia e trace as conseqüências obtidas com a diminuição do número de serpentes. Moral da história: RESPEITE a Natureza: tudo o que ela pede é que a deixemos realizar suas tarefas para que mantenha um equilíbrio saudável para que possamos viver e conviver em harmonia. Claro que se você tiver correndo risco é preferível abater o animal, mas só neste caso.
Do contrário, deixe-o na Natureza para que cumpra seu papel.
O crânio das serpentes e seus órgãos mais significativos As serpentes possuem um crânio bem articulável, onde os ossos, em sua maioria, são independentes e interligados por músculos. Esta característica faz com que consigam se alimentar de presas com diâmetro maior que seu corpo: os ossos do crânio adquirem uma anatomia que permite à serpente engolir presas grandes, e seus órgãos internos, assim como sua pele, possuem boa flexibilidade. Os dentes são voltados para trás, o que permite à serpente segurar sua presa enquanto engole. As serpentes nunca mastigam ou dilaceram seu alimento, sempre engolindo-o inteiro.
Dentição

Existem quatro tipos de dentição nas serpentes, a saber: . áglifa (a = ausência + glyphé = sulco) - dentição típica de serpentes não peçonhentas: não possuem presas. Seus dentes são maciços, sem canal central ou sulco externo. Jaracuçu-do-brejo, caninana, jibóia, sucuri, pítons etc. são exemplos de serpentes áglifas.
. opistóglifas (opisthos = atrás) - apresentam um ou dois pares de dentes posteriores do maxilar superior diferenciados, com sulco externo por onde escorre o veneno. Pela posição posterior das presas, raramente causam acidentes, sendo que podemos considerar estas serpentes como não peçonhentas, pois acidentes com elas são raríssimos. Falsas corais e muçuranas são exemplos.
. proteróglifas (protero = dianteiro) - possuem presas anteriores sulcadas, em maxilares imóveis, o que lhes permite inocular o veneno. A coral verdadeira, serpentes marinhas, najas, são exemplos de serpente com esta dentição. . solenóglifas (soleno = canal) - possuem presas anteriores dotadas de um canal central por onde passa o veneno, estando em um maxilar bem móvel. Cascavel, jararaca, urutu e surucucu são exemplos de serpentes solenóglifas. As serpentes áglifas, opistóglifas e proteróglifas mordem suas presas; as solenóglifas picam.
Melhor explicando: as serpentes áglifas e proteróglifas tem como único método de matar suas presas a asfixia. Elas mordem e se enrolam, praticamente com o corpo todo, na presa. Quando esta morre, a serpente começa a engolir, sempre pela cabeça. As serpentes solenóglifas dão um bote certeiro na presa, inoculam o veneno e esperam que esta morra; mesmo que a "vítima" conseguir se locomover, a serpente a localiza com auxílio de suas "fossetas loreais". Ao localizarem a presa, começam a engoli-la, também pela cabeça.
Bibligrafia: - Soerensen, B.; Animais peçonhentos, Livraria Atheneu Editora, 1 990 - Vários autores; Zoo - O fantástico mundo animal, Rio Gráfica e Editora S?A, 1 982 - Buononato, M. A.; Manutenção de répteis e anfíbios em cativeiro, apostila própria, s/ data - Linhares, S.; Gewandsnajder, F.; Biologia Hoje, vol. 2, Ed. Ática, 1 994 - Romer, A. S.; Parsons, T. S.; Anatomia comparada dos vertebrados, Atheneu Editora São Paulo Ltda, 1 985 - Storer, T. I.; Usinger, R. L.; Stebbins, R. C.; Nybakken, J. W.; Zoologia Geral, Companhia Editora Nacional, 1.991. *Agradecimento Especial: Luigi Leonardo Mazzucco Albano
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