E continuo Re...Fletindo
Essa música de Zé Ramalho, meu primo, nascido na terra de meus ancestrais paterno a Paraíba, leva-me a Refletir, eu era pequena, e lembro-me da propaganda que tinha em um anel que meu avô me deu "doei ouro para o bem do Brasil".
Severino Carvalho de Toledo esse era o nome de meu avô, poeta de Mamanguape, que foi morar na então Bela Vista, lá se casou com uma mato-grossense teve seus três filhos, o mais velho meu pai, Thales, que hoje se encontra junto a ele e minha avó Izabel Pinheiro de Toledo (bela-vistense com orgulho), só podendo estar creio eu, com todos os "homens de bem que como eles se foram" dessa Terra.
Lembro-me também do Eu te amo meu Brasil eu te amo... Não sem antes lembrar-me do Teatro de Arena, do TUCA, de "pra" não dizer que não falei de flores, da construção que Januária viu da janela, mas Carolina não,do caneco 70 comemorado por todos os brasileiros, menos pelos que estavam morrendo no Araguaia, eu me lembro... Eu me lembro das histórias da família aqui na Paraíba, meu bisavô quase sendo apunhalado pelas costas por ter sido considerado inimigo de João Pessoa a faca atingiu minha tia (sua filha ao defendê-lo), época da revolta e comoção do povo por ter sido JP assassinado por João Dantas. Alguém aí assistiu Paraíba Masculina?
Lembro-me, também de meu tio sendo preso na revolução de 64, ah como me lembro, lembro-me de minha avó ter ido pedir ao padre para levar comunhão a ele na cela, e da dor que sentiu no coração ao ouvir o mesmo dizer que não daria comunhão a um “comunista”, e ele nem comunista era, lembro-me de ouvir sobre as torturas que sofria no cárcere, lembro-me da única pessoa fora da família que ia visitá-lo na cadeia meu tio Gélio, seu compadre, (um homem do céu), e aí me lembro da frase de Blaise Pascal. “Amigos conhece-se em dois momentos na desgraça e na abastança, na desgraça pela qualidade e na abastança pela quantidade”, cala fundo, cala muito fundo...
É incrível como a estória se repente, sempre... sempre...mas eu me lembro, do traído e do traidor, da verdade e da mentira, do certo e do errado.
Quatro gerações, muita luta, muita dignidade, honra, educação, inteligência e mérito vem de berço é verve mesmo, não se compra é coisa de quem tem o “Orgulho de ser Brasileiro”. De um Brasil tão grande que uniu uma mato-grossense e um paraibano 3.750km de amor, um Grande País.
E voltando ao Zé Ramalho eu vi tudo, eu senti tudo, mas bico calado faz de conta que sou mudo.
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